terça-feira, 21 de abril de 2009

Lars Von Trier explica.

Eis tudo. Eu sou UMA CRIANÇA. meu deus, ainda! uma criança. Sou PETER PAN, recuso-me a virar homem! não gosto do que vejo no homem. Repudio a humanidade. Não suporto o racionalismo, o cinismo, o egoísmo, a falsidade e a lei de Gerson. Odeio tudo isso. E odeio o paradoxo de a minha cabeça pensante de homem pensar nisso.
Na realidade eu não consigo ser homem. Depois de tanto tentar, eu ainda sou criança. Depois de tanto tentarem (e ainda tentam) arrancar-me a ingenuidade, transformar-me em um deles...
Homens, mulheres, velhos e crianças. Todos pedófilos! Violentam-me todo dia.
O "ar de sabichona" disfarça toda a violência sofrida. Assim sempre foi. Acostumei-me a ceder.
Hoje eu vi um livro cuja capa era "SIM, você pode dizer NÃO", quando comecei a folheá-lo percebi que o livro era para ensinar ao seu filho! - Adultos sabem dizer "não" - Definitivamente, eu sou uma criança. E gritando "mãe!".
E eu tenho cosciência, de mim, do homem. Sou VAN GOGH consciente do seu descontrole.
Por que eu não ajo como penso?
Nem criança eu sou! Sou BICHO. Prefiro o bicho. Sou GENIN.
Sou o CACHORRO fiel, que mesmo depois de levar porrada e passar o dia trancado, abana o rabo e abre as pernas quando o dono chega.
Sou SELMA dançando no escuro. Sou GRACE, e infelizmente Dogville é meu mundo.

domingo, 12 de abril de 2009

quarto minguante.

O espelho caiu, na nossa frente.
A imagem se abriu, em estilhaços pelo chão.
Fragmentos de mim, em meio ao caos.
Eu te disse que cairia. Nada fiz.
Você não me ouviu. Nunca ouve.
Eu não fiz questão. Nunca faço.
Você me culpou. Como sempre.
Mas já não me importa.
Catei cada pedaço, minuciosamente.
E fiz um mosaico de mim.

domingo, 5 de abril de 2009

"quem vai pagar por isso?"

Foi mal pessoal... extenso e prolongado ócio criativo. :T

Quem vai pagar o pato, pegar a puta, subornar de novo um pita? Quem vai? Quem paga? A crise do capitalismo americano, chinês e russo e a crise de gota do meu vizinho pinguço? Quem paga e quem deve? Quem é que deve e não treme? Quem foi que matou o trema? Quem esqueceu de desmontar todo o esquema? O esquema da grana que vai pra Suíça, o esquema do Dunga que enche linguiça, o esquema que finge que existe justiça? Quem? Quem paga pra ver? E pra olhar pro outro lado? Quem elege o pior cego? Quem é que suborna o teu ego? Quem pendura tua alma no prego? Quem?
Alguém. Ah, alguém sempre fatura com a hora do pendura, alguém sempre acha graça na hora da desgraça, alguém sempre acelera quando você grita "espera!", alguém sempre traz a cruz quando aparece um jesus. Mas quem? Que nome tem? De onde vem? Quem te dá o resultado do exame? Quem te salva da biópsia e da sequela do derrame? Quem te dá a anestesia? A novela de cada dia? Quem bebe a água benta e vende a pia? Quem? Quem surrupiou os centavos? Quem mudou Davos em Devos? Quem quer dar o golpe nos evos? Que ivos sumiram com as uvas? Na estrada de Santos, onde foram parar as curvas?
Onde? Onde se escondem meu futuro, teu sucesso? O saldo bancário dos líderes do congresso? E pra onde vamos? Pro aquecimento global ou pro esquecimento total? Paris ou piscinão de Ramos? Depende do que somos? Somos europeus ou imigrantes africanos? Entramos pela frente ou entramos pelos canos, pelos guantánamos? Somos insanos ou somos insones? Fomos convidados pro casamento da Rosa de Luxemburgo com o Indiana Jones? Tudo com o patrocínio das sonys? Tudo, tudo vale a pena se a arma não é pequena? Vale a pena invadir o Ceasa, hipotecar sua casa, pisar na faixa de Gaza? Afinal, pra onde vamos, aos trancos e barrancos? E quem é que roubou mais, o cheque sem fundo ou o dono do banco? Mas quem, quem vai pagar por isso? Chouriço?

Cesar Cardoso, para Caros Amigos - março de 2009.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

quarto crescente.

Ela olhou no espelho e não se viu. Há quanto tempo ela não se via não se sabe ao certo, mas naquele instante ela viu. Viu que não se via. A imagem do espelho refletia nas pessoas a sua volta, mas não era ela. Ela via-se em seus amigos, mas não no espelho.
Teve saudades de si mesma. Há quanto tempo ela usava a mesma roupa? Roupa horrorosa! Percebeu a quantidade absurda de roupas que usava. Sentiu-se sufocada. Sempre esteve sufocada, mas ela via-se nos seus amigos, isso reconfortava-a, fazia esquecer. Tanto esqueceu que não se lembrava há quanto usava tanta roupa.
Desesperou-se. Precisava tirar aquelas roupas. E eram tantas as roupas! E por mais que aquilo lhe sufocasse, era como se ela lutasse contra si mesma para levantar os braços, puxar as mangas das camisas... O corpo desacostumara ao simples ato de trocar de roupa. Cada camada tirada era mais cansativa, dolorida.
Já possuia vários hematomas da luta contra si mesma, mas sentia-se feliz por ter um espelho e queria refletir-se nele e reconhecer-se na futura imagem. Puxou uma última manga e sentiu uma textura macia. Era a sua pele. Olhou para o rosto e notou a diferença. Sua pele estava desbotada de tanto tempo que permanecera coberta. Com muito esforço, conseguiu puxar a camisa, passar pela cabeça... Foi então que viu os pêlos, as cicatrizes, celulites, varizes... Seu primeiro impulso foi puxar a camisa de volta, mas novamente ela lutou contra si mesma. E por fim, suando, exausta, com as pernas trêmulas, ela viu-se nua.
E desde então ela permenece lá, ainda desviando o olhar, procurando os amigos, que não mais a refletem. Agora ela prefere o espelho. Ainda vai demorar um pouco para conseguir encará-la, olho a olho, mas ela nunca esteve tão aliviada.
Onde achou o espelho, ela não soube responder, mas nunca mais foi a mesma depois que não se viu.

sábado, 31 de janeiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

top 05. ;D

Bom, amiguinhos, a verdade é a seguinte: eu vi um top(alguma coisa) num blogue de um amigo que está aí nos meus links - o Genebra e as duas prostitutas -, achei (muito) legal e fiquei com (muita) inveja. Meu espírito de originalidade realmente tentou resistir mas hoje eu vi que eu não teria paz, se eu não fizesse o meu próprio TopFive!. Ah, mas que bobagem - já dizia a minha dinda - nesse mundo nada se cria tudo se copia! (pelo menos eu fiz propaganda. ;D)

. Regulamento:
01 - Não concorreram os textos de caráter:
- Político (que são só dois), porque eu não consigo comparar. (mas com certeza o texto juventude - uma dissertação, é um dos textos que eu mais gosto na vida.)
- Excessivamente emocional/ efêmero/ passional/ piada interna/ sem qualquer objetivo literário apenas desabafo ou "estava a fim, só de sacanagem".
02 - Válidos apenas textos publicados em 2008 - como se houvesse outros...
03 - A Comissão Julgadora (eu), goza de plenos poderes sobre critérios de avaliação, não tendo o dever de explicá-los a nenhum segmento do poupulacho. Critérios altamente subjetivos tais como futebol e religião (a minha cara, odeio ambos), ou mesmo de cunho palatável.
04 - Caso haja discordâncias de qualquer natureza, poderão ser expostas no espaço reservado a comentários, não significando a existência de democracia, mas sim, da mais pura e tradicional política do populismo.
05 - É terminantemente proibido qualquer tipo de agressão à Assessoria de Imprensa (eu), devido à publicação desse regulamento ditatorial-radical-fascista. Principalmente devido à declaração sobre o futebol e religião - a Assessoria afirma que eu nem sou tão radical assim.


TOP 05 - 2008

05. debaixo d'árvore em cima d'pedra.
http://pedra-pomes.blogspot.com/2008/11/debaixo-drvore-em-cima-dpedra.html

04. a dona da noite.
http://pedra-pomes.blogspot.com/2008/05/dona-da-noite.html

03. Ela fez uma festa.
http://pedra-pomes.blogspot.com/2008/06/ela-fez-uma-festa.html

02. ilusão de óptica.
http://pedra-pomes.blogspot.com/2008/10/iluso-de-ptica.html

01. o jogo.
http://pedra-pomes.blogspot.com/2008/07/o-jogo.html


O Regulamento tem todos os direitos reservados a lalai.ilimitada (eu também! ;P)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

só.

Hoje eu falei para mim mesma: acorda! você está só.
Estou tentando parar com o vício de mentir para mim.
Estou só.
Ainda bem que eu sou esquizofrênica.
Me faço companhia. E agora sincera.

domingo, 14 de dezembro de 2008

uma boa música.

êa, vestiba! entrei só pra pegar o gabarito de hoje e resolvi postar uma coisa que não é minha, mas também sou eu, agora. ;D

Não olhe pra trás lá trás ficaram as peles
pele de virar as costas pra sempre
pele de ouvir a língua pele de não entender nada
pele de deixar a morada
pele de partir pra outra pele de aeroporto
pele de dormir no sofá da sala
pele de rir sozinho no eco da sua casa
pele de portas fechadas

Não olhe pra trás o tempo ruge
tempo de trocar a pele tempo de fazer cooper
tempo de amar tempo de andar em círculos
tempo de fechar o livro tempo de fechar o ciclo
tempo de voltar ao início
tempo de lavar a louça tempo de apagar
e chorar de frio na madrugada

Não olhe pra trás lá trás ficaram as peles
pele de virar as costas pra sempre
pele de ouvir a língua pele de não entender nada
pele de deixar a morada
pele de ouvir uns discos pele de aeroporto
pele de dormir no sofá da sala


As Peles, Fellini - Cadão Volpato.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

indignação pessoal.

Estamos caindo fora. Fora de nós mesmos, da realidade.
Estamos num mundo inventado por nós e que não temos mais o comando da nossa própria invenção. O racionalismo é tamanho que se tornou irracional. Estamos dando vida às coisas e tirando dos seres.
Toda significação da nossa sociedade é inventada. O papel que faz a nota de R$100 é o mesmo que faz a nota de R$1, a difrença é o valor atribuído a ele. Você precisa comer, precisa vestir... mas ninguém come uma cédula de R$10, nem sai por aí com status por que está vestindo uma notona de R$100. Economia é valor, portanto a economia é inventada, e se é inventada porquê não podemos fazer com que ela seja boa para todos? Fomos nós que inventamos! Quem lucra com a desgraça alheia quer nos fazer acreditar que há uma complexidade muito grande em resolver os problemas econômicos do mundo. Mas não há! É tudo muito simples. (Os problemas socio-políticos, eu aceito e concordo que o buraco é mais em baixo, mas econômicos?). Então inventam uma infinidade de juros, taxas, alíquotas e sei lá mais que nomes! Para que se divulgue nos jornais televisivos com o fim de que todos vejam e que ninguém entenda bulhufas, e dessa forma, acreditarmos que errados somos nós, que somos sufcientemente ignorantes para não entender "O Mercado"(parece filme de terror...). Parece que é uma entidade que tem vontades próprias - assim como "A Sociedade", "A Humanidade"... -, "Hoje, O Mercado está nervoso!"... Mercado não tem nervos, quem fica nervoso é gente!
Será que ninguém vê que é um absurdo essa "sociedade informacional" a qual estamos vivenciando??? A vida não vale nada, o real não vale nada, só vale o que é dito na TV, o que é escrito no jornal, o que é número estatístico. A máquina é perfeita, o homem não. O ser humano perdeu valor pro Iphone. E a tendência é o mais evoluído técnico-cientificamente dominar o "inferior", o feitiço virará de encontro...
Saímos de uma "sociedade industrial" na qual o dinheiro significava moeda e a economia era real - os produtos eram vendidos com o valor da matéria-prima, mão-de-obra e ágios, só se vendia o que se tinha, e precisava ter para se vender -, e entramos numa "sociedade informacional" na qual o mercado é especulativo, o dinheiro é virtual e os juros, flutuantes! Vivemos uma crise inventada e que ninguém faz o favor de desinventar! Viramos reféns de nossa criação. (Todos estão perdendo dinheiro e isso não faz o menor sentido! O dinheiro está lá, se alguém está perdendo alguém tem que estar ganhando!) Vejam o sistema absurdo que criamos, inventamos uma economia e estamos perdendo dinheiro para ela! Toda a humanidade está perdendo o dinheiro que ela mesma criou!!! (Assim como o homem perdeu para a máquina de jogar xadrez.) E para onde vai todo o dinheiro perdido? Desmancha no ar, bilhões de dólares. Portanto, nunca tivemos diheiro, é tudo emprestado da "Economia" - a brother.
Nessa sociedade, tudo acontece por que alguém disse que aconteceria... A pessoa não previu, ela fez com que acontecesse. O Faustão apresenta alguém que ninguém nunca viu e diz que é o maior sucesso nas rádios. Não, ele não é. Mas no dia seguinte será! Alguém importante na Bolsa de Valores fala: "eu acho que a Petrobrás vai falir", os preços das ações caem, todo mundo corre pra vendê-las, ninguém quer comprá-las, e a Petrobrás quebra. Por mais que ela estivesse ótima! Eles mentiram? Não. Apenas criaram verdades. Mas porque alguém acha que tem o direito de fazer isso com toda uma sociedade? Ninguém pode ganhar dinheiro só especulando. Dinheiro vem de trabalho!
Temos que acabar com esse sistema antes que ele acabe conosco: com tudo o que criamos e com nossa humanidade - no sentido da desumanização do homem. Não sei como fizeram tal conta, mas eu soube que seria necessário apenas 1/3 (!) de todo o dinheiro desprendido com o salvamento dos "pobres businessmen" para acabar com a fome em todo o mundo. Ouviram? TODO O MUNDO. A fome em todos os países "do terceiro mundo", resolveria-se em uma sentada entre líderes dos países "do primeiro mundo". Mas eles preferiram salvar a Bolsa. E ainda têm a cara-de-pau de pedir nossa ajuda... Ninguém quer mudar a situação vigente, a miséria é o que sustenta tudo isso. Essa máquina movida a destruição, a degradação humana, a sangue de negro pobre. E a gente ainda abre as pernas para esse desENVOLVIMENTO.
Estamos caindo fora. E o último que sair que apague as luzes.