Peço-vos perdão, mas estou de saída.
Não posso mais. Não é direito.
A todos - principalmente a ti -, muito obrigada.
Desculpa o alarde.
"words are very unnecessary they can only do harm"
domingo, 1 de novembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
a calma.
acalma-te
tudo vai dar certo.
tudo permanecerá exatamente onde está
o peito não vai explodir, o estômago não vai revirar, a garganta não vai pegar fogo.
tudo vai se manter, depois que tudo passar.
mas por enquanto não.
então acalma-te.
tudo vai dar certo. eu sinto.
algo está por vir
algo que fará o peito explodir, o estômago revirar e a garganta pegar fogo.
então descansa
repousa em meu colo
porque tudo permanecerá
exatamente onde sempre esteve.
(Enquanto ninguém me diz isso, eu digo a mim mesma. E não me convenço. Mas é tudo o que eu quero ouvir.)
tudo vai dar certo.
tudo permanecerá exatamente onde está
o peito não vai explodir, o estômago não vai revirar, a garganta não vai pegar fogo.
tudo vai se manter, depois que tudo passar.
mas por enquanto não.
então acalma-te.
tudo vai dar certo. eu sinto.
algo está por vir
algo que fará o peito explodir, o estômago revirar e a garganta pegar fogo.
então descansa
repousa em meu colo
porque tudo permanecerá
exatamente onde sempre esteve.
(Enquanto ninguém me diz isso, eu digo a mim mesma. E não me convenço. Mas é tudo o que eu quero ouvir.)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
o piloto do plano.
Em mim nada é concreto
como o concreto sob os meus pés.
O objeto mostra-me a ilusão
de milhões de formas possíveis.
Ando ao seu redor e me vejo várias
(tão pouco e tão muito nesta cidade)
Sou um ponto neste plano
que não me inclui,
traçando coordenadas não me acharás.
Por vezes me agiganto visível
passo como um dirigível,
uma atração aos olhos que estranham.
Não pertenço a esta cidade
que me impressiona,
me encantam seus traços
sinuosos como eu nada concreta
O sol inunda a cidade
derrama sobre o vermelho da terra
que inspiro com o ar seco
que só aqui se sente
e que me arrepia a pele
num jogo de quente e frio
onde dia e noite se distanciam.
Abro-me sob o azul de seu céu
mas ainda sou aquela.
os pés gastos da caminhada
ainda estão na baía
ainda que eu busque o interior
que é só meu.
Precisaria mais tempo
para chegar inteira
ao mais alto interior
do meu país.
Mas levo a terra comigo
no pulmão
que agora é vermelho.
Um dia eu volto.
como o concreto sob os meus pés.
O objeto mostra-me a ilusão
de milhões de formas possíveis.
Ando ao seu redor e me vejo várias
(tão pouco e tão muito nesta cidade)
Sou um ponto neste plano
que não me inclui,
traçando coordenadas não me acharás.
Por vezes me agiganto visível
passo como um dirigível,
uma atração aos olhos que estranham.
Não pertenço a esta cidade
que me impressiona,
me encantam seus traços
sinuosos como eu nada concreta
O sol inunda a cidade
derrama sobre o vermelho da terra
que inspiro com o ar seco
que só aqui se sente
e que me arrepia a pele
num jogo de quente e frio
onde dia e noite se distanciam.
Abro-me sob o azul de seu céu
mas ainda sou aquela.
os pés gastos da caminhada
ainda estão na baía
ainda que eu busque o interior
que é só meu.
Precisaria mais tempo
para chegar inteira
ao mais alto interior
do meu país.
Mas levo a terra comigo
no pulmão
que agora é vermelho.
Um dia eu volto.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
indignação pessoal 2.
Hoje foi o cúmulo do absurdo. Tudo bem, eu já aceitei que esse mundo tá maluco, mas pera lá. Tudo tem um limite.
Estava eu, realizando o meu ritual diário como uma boa cidadã da sociedade pós-moderna ocidental de engolir o almoço enquanto assisto às mais incríveis baboseiras que o nosso aparelho televisivo nos é capaz de proporcionar. Na TV, passava o Jornal Hoje - aquele da Globo com aquele apresentador jovem e descolado -, quando de repente, surge na tela o resultado de uma enquete realizada no sítio do jornal sobre a positividade ou não do "toque de recolher" para menores: fui surpreendida com nada mais nada menos que 81% dos internautas A FAVOR do TOQUE DE RECOLHER PARA MENORES (!!!) Oi? Isso mesmo 81%. Quase morro engasgada.
Quando tudo isso começou, eu imaginava que tudo não passaria de um devaneio totalitário maluco de uma juíza interiorana que nada sabe de educação de adolescentes e que toda a sociedade brasileira responderia com cinquenta e sete (no mínimo!) pedras à mão a tal desparate. Mas aconteceu o contrário, a juíza recebeu aplausos e, pior, seguidores! Cada dia que passa, mais cidades adotam o tal toque de recolher. E o que mais me deixa pasma é a normalidade como é tratada a questão.
O que estamos vivenciando são pais e adultos desesperados à beira da irracionalidade. Quer seja o pai que não consegue manter o filho dentro de casa, quer seja o cidadão transeunte que morre de medo desses meninos na rua, ou o juíz que tem de resolver os tumultos que eles causam. O fato de essas situações acontecerem com tanta frenquência e naturalidade a ponto de se pensar que a melhor saída é manter os adolescentes em prisão domiciliar, só comprova uma extrema incompetência da sociedade, do Estado, e dos pais na educação brasileira. Pode-se culpar meio mundo por isso, menos as próprias vítimas.
Parafraseando o nosso novo presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB), eu fico impressionada como "a opinião pública é volúvel". Por vezes opta por defender os "tadinhos" dos adolescentes, outras os condena. Como pode a mesma sociedade que há meses atrás estava em peso no discurso a favor da maioridade penal cair para os 16 anos, estar agora a favor que estes mesmos "adultos" sejam tratados como crianças tão vulneráveis? Para nós, "pensadores sempre corretos" da classe média, tudo depende. De qual criança estamos falando? De onde vem? Onde mora?
Não quero entrar em questões mais profundas e complexas, o que me traz aqui é a simples indignação contra uma ação pontual: o veto do direito de ir e vir dos cidadãos que possuem menos de 18 anos. Sim, porque é isto o que o é: violação de um direito básico do ser humano de acordo com os parâmetros modernos.
O curioso é que enquanto nas favelas das grandes cidades brasileiras se impõe e se sofre com o toque de recolher extra-oficial acarretado da violência urbana e imposto pelo poder do tráfico, as cidades do interior que ainda podem respirar aliviadas à noite, propõem por livre e espontânea vontade o seu próprio toque de recolher, olha só! :) (que loucura! parece até que é inveja).
E mesmo que essa fosse a solução para menores infratores ou menores "expostos a situações de risco" - como bem defendem -, na confusão, esquece-se dos jovens espertinhos, sensatos e bem-alimentados, de pais conscientes que deram muito amor e carinho na infância e que confiam plenamente em seus filhos. EU por exemplo! xD. (Eu nem consigo imaginar como a minha vida seria se houvesse esse toque de recolher em Salvador (deusémais) durante as minhas descobertas da adolescência. oO.) ;P
Essa justiça é mesmo muito esperta não é mesmo? Não consegue educar, então prende! É mais fácil rápido e eficiente, pelo menos por enquanto... Eu só quero ver quando esses meninos puderem sair de casa... a merda que não vai ser. Afinal, um dia eles terão que sair! Isso é o que as pessoas do nosso tempo não estão compreendendo, com essa idéia absolutamente deturpada de proteção. Deixa eu só dizer uma verdade. dura. mas a vida é assim mesmo: SEUS FILHOS SAIRÃO À NOITE, SAIRÃO DO ALPHAVILLE, SERÃO ASSALTADOS, SOFRERÃO POR AMOR, FARÃO SEXO... ééé... acreditem...
Bom, como eu acho meio difícil fazer com o que pais esqueçam toda essa carga ideológica de uma hora pra outra, vamos lá: Jovens do meu Brasil, uni-vos! Lutemos pelo direito básico de ir vir e contra toda a tirania desesperada de uma geração enferma!
Estava eu, realizando o meu ritual diário como uma boa cidadã da sociedade pós-moderna ocidental de engolir o almoço enquanto assisto às mais incríveis baboseiras que o nosso aparelho televisivo nos é capaz de proporcionar. Na TV, passava o Jornal Hoje - aquele da Globo com aquele apresentador jovem e descolado -, quando de repente, surge na tela o resultado de uma enquete realizada no sítio do jornal sobre a positividade ou não do "toque de recolher" para menores: fui surpreendida com nada mais nada menos que 81% dos internautas A FAVOR do TOQUE DE RECOLHER PARA MENORES (!!!) Oi? Isso mesmo 81%. Quase morro engasgada.
Quando tudo isso começou, eu imaginava que tudo não passaria de um devaneio totalitário maluco de uma juíza interiorana que nada sabe de educação de adolescentes e que toda a sociedade brasileira responderia com cinquenta e sete (no mínimo!) pedras à mão a tal desparate. Mas aconteceu o contrário, a juíza recebeu aplausos e, pior, seguidores! Cada dia que passa, mais cidades adotam o tal toque de recolher. E o que mais me deixa pasma é a normalidade como é tratada a questão.
O que estamos vivenciando são pais e adultos desesperados à beira da irracionalidade. Quer seja o pai que não consegue manter o filho dentro de casa, quer seja o cidadão transeunte que morre de medo desses meninos na rua, ou o juíz que tem de resolver os tumultos que eles causam. O fato de essas situações acontecerem com tanta frenquência e naturalidade a ponto de se pensar que a melhor saída é manter os adolescentes em prisão domiciliar, só comprova uma extrema incompetência da sociedade, do Estado, e dos pais na educação brasileira. Pode-se culpar meio mundo por isso, menos as próprias vítimas.
Parafraseando o nosso novo presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB), eu fico impressionada como "a opinião pública é volúvel". Por vezes opta por defender os "tadinhos" dos adolescentes, outras os condena. Como pode a mesma sociedade que há meses atrás estava em peso no discurso a favor da maioridade penal cair para os 16 anos, estar agora a favor que estes mesmos "adultos" sejam tratados como crianças tão vulneráveis? Para nós, "pensadores sempre corretos" da classe média, tudo depende. De qual criança estamos falando? De onde vem? Onde mora?
Não quero entrar em questões mais profundas e complexas, o que me traz aqui é a simples indignação contra uma ação pontual: o veto do direito de ir e vir dos cidadãos que possuem menos de 18 anos. Sim, porque é isto o que o é: violação de um direito básico do ser humano de acordo com os parâmetros modernos.
O curioso é que enquanto nas favelas das grandes cidades brasileiras se impõe e se sofre com o toque de recolher extra-oficial acarretado da violência urbana e imposto pelo poder do tráfico, as cidades do interior que ainda podem respirar aliviadas à noite, propõem por livre e espontânea vontade o seu próprio toque de recolher, olha só! :) (que loucura! parece até que é inveja).
E mesmo que essa fosse a solução para menores infratores ou menores "expostos a situações de risco" - como bem defendem -, na confusão, esquece-se dos jovens espertinhos, sensatos e bem-alimentados, de pais conscientes que deram muito amor e carinho na infância e que confiam plenamente em seus filhos. EU por exemplo! xD. (Eu nem consigo imaginar como a minha vida seria se houvesse esse toque de recolher em Salvador (deusémais) durante as minhas descobertas da adolescência. oO.) ;P
Essa justiça é mesmo muito esperta não é mesmo? Não consegue educar, então prende! É mais fácil rápido e eficiente, pelo menos por enquanto... Eu só quero ver quando esses meninos puderem sair de casa... a merda que não vai ser. Afinal, um dia eles terão que sair! Isso é o que as pessoas do nosso tempo não estão compreendendo, com essa idéia absolutamente deturpada de proteção. Deixa eu só dizer uma verdade. dura. mas a vida é assim mesmo: SEUS FILHOS SAIRÃO À NOITE, SAIRÃO DO ALPHAVILLE, SERÃO ASSALTADOS, SOFRERÃO POR AMOR, FARÃO SEXO... ééé... acreditem...
Bom, como eu acho meio difícil fazer com o que pais esqueçam toda essa carga ideológica de uma hora pra outra, vamos lá: Jovens do meu Brasil, uni-vos! Lutemos pelo direito básico de ir vir e contra toda a tirania desesperada de uma geração enferma!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
fotografias recortadas. (ou "shake me into the night and I'm an easy lover... I'm On Fire!")
Fumaça. Ela estava no quarto com eles. rindo. o ar inebriado de maconha. Eles eram os três rapazes. um amigo com certeza. os outros dois eram com certeza conhecidos. Os quatro recém-chegados de uma festa. animadíssima.
Um copo. Ela estava bebendo, o copo nunca estava vazio, por mais que o esvaziasse. Ele estava acariciando o seu braço.
Um nariz. Ele estava roçando o nariz enquanto a beijava a boca. Ela abriu os olhos, olhou o amigo e o outro encostados na cama à frente e pôde ver, não eram eles quem ela beijava.
Um pescoço. Ele estava em cima dela pressionando o seu corpo enquanto a beijava. Ela olhou em volta e não viu o amigo, afastou o corpo dele. Ninguém no quarto. Ela disse: "quero sair.".
Um hall de entrada. Ela estava na sala com o amigo. os outros dois estavam ao lado da porta. Ela disse: "já vão?"
Um homem. Ele estava tirando a sua saia. Eles estavam no sofá da sala. a sós. Era o amigo. Ela sorriu e tirou a blusa.
Um pé de estante. Ela estava deitada, os seios nus. Eles estavam no chão da sala. Ele disse: "você tá linda".
Uma janela. Ele estava ajoelhado de costas para a janela, sorrindo e abrindo uma embalagem. Ela sorriu e deu uma piscadela.
Um peitoral. Ele estava penetrando-a com força. Ela estava ardendo. literalmente.
Uma silhueta. Ele estava subindo e descendo dentro dela. Ela estava pensando no falo que a irrompia. não era largo, mas ia fundo - apesar da estreiteza do seu sexo.
Um ombro. Ele estava suado. Ela olhou a árvore na janela, que aparecia e sumia com o movimento do ombro dele.
Uma nuca. Ele caiu sobre ela e perguntou: "foi a primeira vez?". ao que Ela respondeu: "mais ou menos". não era: há meses atrás, ela estava menos bêbada, mas o cara era mais insistente.
Um olho. Ele estava olhando para ela. Eles estavam de lado, um de frente para o outro. as pernas entrecruzadas. Ela sorriu.
Luz. Ela estava na cama dele, o sol estava a pino e o relógio badalava enlouquecido. Ela o beijou na testa e foi embora.
Saiu à rua na confusão do meio dia.
Um copo. Ela estava bebendo, o copo nunca estava vazio, por mais que o esvaziasse. Ele estava acariciando o seu braço.
Um nariz. Ele estava roçando o nariz enquanto a beijava a boca. Ela abriu os olhos, olhou o amigo e o outro encostados na cama à frente e pôde ver, não eram eles quem ela beijava.
Um pescoço. Ele estava em cima dela pressionando o seu corpo enquanto a beijava. Ela olhou em volta e não viu o amigo, afastou o corpo dele. Ninguém no quarto. Ela disse: "quero sair.".
Um hall de entrada. Ela estava na sala com o amigo. os outros dois estavam ao lado da porta. Ela disse: "já vão?"
Um homem. Ele estava tirando a sua saia. Eles estavam no sofá da sala. a sós. Era o amigo. Ela sorriu e tirou a blusa.
Um pé de estante. Ela estava deitada, os seios nus. Eles estavam no chão da sala. Ele disse: "você tá linda".
Uma janela. Ele estava ajoelhado de costas para a janela, sorrindo e abrindo uma embalagem. Ela sorriu e deu uma piscadela.
Um peitoral. Ele estava penetrando-a com força. Ela estava ardendo. literalmente.
Uma silhueta. Ele estava subindo e descendo dentro dela. Ela estava pensando no falo que a irrompia. não era largo, mas ia fundo - apesar da estreiteza do seu sexo.
Um ombro. Ele estava suado. Ela olhou a árvore na janela, que aparecia e sumia com o movimento do ombro dele.
Uma nuca. Ele caiu sobre ela e perguntou: "foi a primeira vez?". ao que Ela respondeu: "mais ou menos". não era: há meses atrás, ela estava menos bêbada, mas o cara era mais insistente.
Um olho. Ele estava olhando para ela. Eles estavam de lado, um de frente para o outro. as pernas entrecruzadas. Ela sorriu.
Luz. Ela estava na cama dele, o sol estava a pino e o relógio badalava enlouquecido. Ela o beijou na testa e foi embora.
Saiu à rua na confusão do meio dia.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
a mulher gigante.
Ela estava enorme, tinha dores constantes. Apertado tudo estava apertado. Ela não cabia em suas roupas, não cabia no seu quarto, na sua casa, na sua rua. Não mais. Ela crescera. Seus braços que braços! atravessavam ruas, suas pernas dobravam esquinas.
Quando sonhava eram as poucas vezes em que ela deitava, abria os braços, era livre, ainda assim sempre tinha alguém para cutucá-la, quase sempre ela mesma, de tão grande que era. Havia sempre algum dedo seu que acabava encostando no imenso corpo.
Sofria por ser tão grande, machucava a todo momento. Não sabia como ser menor, não podia. E a culpa era imensurável. Batia nos outros, machucava as pessoas. Incomodava... Aquelas pernas pra todo lado.
E ela não queria, não podia, por isso era presa. Contorcida, alimentava-se das migalhas que o povo colocava nos seus dedos espremidos entre as grades. E crescia. Mais e mais.
Era prisioneira. Do tempo, da culpa, das pessoas, dela mesma.
Precisava respirar. estava maior do que nunca, pelo visto estaria cada vez maior. Não conseguia dormir, já não sonhava, não abria os braços. Ela queria fugir, mas não tinha para onde. Não sabia como. Mas sabia que estava sufocando. Morreria. Só assim tomaria uma atitude. Instinto. Sobrevivência.
Começou a se debater, perdeu a consciência, teve espasmos. A cidade inteira acordou. Terremoto. Ela se debatia, os edifícios desmoronavam, toda a cidade ruindo. Sacudiu o mundo. Cidades inteiras inundadas, avalanches. Corpos espalhados pelas ruínas. O planeta balançando no espaço, os seres explodindo com a pressão atmosférica. Mas nada disso ela viu. E então ela se desprendeu. Caiu no vazio cheio de estrelas. Inconsciente. Inerte. Respirou fundo. Tinha o infinito pela frente. E ela cabia nele. Abriu os braços. Olhou em direção ao mundo que deixara. Achou tudo muito apetitoso. Abriu a boca e o engoliu (tornara-se grande o suficiente pra isso).
Então sorriu e dormiu para sempre na vastidão inifinita.
Quando sonhava eram as poucas vezes em que ela deitava, abria os braços, era livre, ainda assim sempre tinha alguém para cutucá-la, quase sempre ela mesma, de tão grande que era. Havia sempre algum dedo seu que acabava encostando no imenso corpo.
Sofria por ser tão grande, machucava a todo momento. Não sabia como ser menor, não podia. E a culpa era imensurável. Batia nos outros, machucava as pessoas. Incomodava... Aquelas pernas pra todo lado.
E ela não queria, não podia, por isso era presa. Contorcida, alimentava-se das migalhas que o povo colocava nos seus dedos espremidos entre as grades. E crescia. Mais e mais.
Era prisioneira. Do tempo, da culpa, das pessoas, dela mesma.
Precisava respirar. estava maior do que nunca, pelo visto estaria cada vez maior. Não conseguia dormir, já não sonhava, não abria os braços. Ela queria fugir, mas não tinha para onde. Não sabia como. Mas sabia que estava sufocando. Morreria. Só assim tomaria uma atitude. Instinto. Sobrevivência.
Começou a se debater, perdeu a consciência, teve espasmos. A cidade inteira acordou. Terremoto. Ela se debatia, os edifícios desmoronavam, toda a cidade ruindo. Sacudiu o mundo. Cidades inteiras inundadas, avalanches. Corpos espalhados pelas ruínas. O planeta balançando no espaço, os seres explodindo com a pressão atmosférica. Mas nada disso ela viu. E então ela se desprendeu. Caiu no vazio cheio de estrelas. Inconsciente. Inerte. Respirou fundo. Tinha o infinito pela frente. E ela cabia nele. Abriu os braços. Olhou em direção ao mundo que deixara. Achou tudo muito apetitoso. Abriu a boca e o engoliu (tornara-se grande o suficiente pra isso).
Então sorriu e dormiu para sempre na vastidão inifinita.
terça-feira, 26 de maio de 2009
brincadeirinha. ;D
Uma brincadeira que a Ana Celine começou, e ela indicou o Helder , que indicou para o Uriel, que indicou Maria, que indicou Samory, que me indicou...
As regras são:
1- Colocar o link de quem te indicou
2- Escrever as regras do jogo para a brincadeira ficar mais clara
3- Indicar 3 blogueiros para dar continuação à essa bodega
4- Avisar quem foi indicado
Brincadeira :
Há 10 anos atrás:
× Eu tinha 8 anos...
× fazia guerra de borracha na minha turma de (pasmem) 38 alunos!
× vi o show dos Raimundos! (invejem: não foi o único) ;D
× comia combos e twix (do grande) na máquina de m&ms de lá do colégio.
× usava aquelas gargantilhas ridículas que toda garota prafrentex usava.
Há 5 anos atrás:
(sacanagem, não podia ser uns anos antes ou dps? 7 série é ridícula!) 13 anos..
× eu era apaixonada por um lost qualquer. (brinks, ele é legal)
× usava as bermudas do meu irmão.
× fui pra minha primeira recuperação de verdade - desde então tornou-se um hábito. (as pessoas só se convenceram de que era melhor eu não fazer mais recuperação de matemática no 3 ano!)
× fui assaltada pela primeira vez. (não, não foi bom pra mim)
× tinha tubos de cotonete na orelha.
Há 2 anos atrás:
× influenciada pela moda da afro-brasilidade, eu fiz um black.
× um back bateu onda. (opa! será que pode falar isso? :P)
× fui pela primeira vez na boomerangue. (?)
× tive uma crise existencial e fiz uma redação-desabafo pro colégio. (e fechei! :D)
× fiz o primeiro regue maluco da minha casa.
Ontem:
× Eu tinha 18 anos.. (é verdade, eu ainda tenho)
× apresentei o trabalho de Políticas e não deixei ninguém falar.
× me contorci (como sempre) ao tirar uma nota boa na prova de Jéder.
× sentei na varandinha. (como sempre)
× discuti com Luara. (?) - devo ter discutido... ;D
Hoje:
× infelizmente, fui pra aula "de quinta" - ainda que na terça.
× O semáforo em frente a faculdade sumiu. (totalmente misteriosamente)
× as pessoas morreram pra atravessar - então eu perdi meu ônibus. Eu fui pra orla e perdi o de lá também! xD
× assisti Vicky Cristina Barcelona, o que me inspirou a fazer o post abaixo.
Amanhã:
× vou morrer. (???) - nunca se sabe..
× vou pra abertura do V ENECULT, assistir palestras superlegais!
× devo discutir com Lú - hj ela não foi pra aula.. ;D
× vou perguntar se Jéder realmente teve coragem de dar aula.
× vou me lamentar mais uma vez pela perda da minha pasta.
Coisas que eu não vivo sem:
× comer e dormir. (acima de todas as coisas)
× cabeça.
× arte.
× falar "ôxe" e/ou "oxente"
× tocar nas pessoas. (por favor, nunca me peçam isso)
Coisas que eu compraria com 1.000 reais:
× muitas calcinhas e sutiãs em lojas de verdade. ;D
× um ipod! uhuu!
× uma viagem.
× muitos CDs e DVDs! o box de Almodóvar, Chaplin...
× uma bateria. (com mil reais?) - meio forçado vai...
Maus hábitos..:
× roer peles (minhas, claro)... cutículas...
× não deixar as pessoas falarem.
× não dobrar o papel higiênico.
× não escovar os dentes depois do almoço se eu não for sair.
× jogar a toalha molhada em cima da cama.
Programas e tv:
× soterópolis - TVE
× os LABs - MTV
× CQC - BAND
× altas horas - GLOBO
× jornal nacional - GLOBO
Coisas que me assustam:
× o despertador.
× baratas voadoras.
× meu irmão às vezes.
× armas.
× perder a memória.
Lugares que eu gostaria de ir:
× África do Sul
× México
× Bonito -MS
× Cuba
× Barcelona -Espanha
Pessoas indicadas:
× Lúcia Neco
× Carmem Pacheco
× Vanessa Costa
As regras são:
1- Colocar o link de quem te indicou
2- Escrever as regras do jogo para a brincadeira ficar mais clara
3- Indicar 3 blogueiros para dar continuação à essa bodega
4- Avisar quem foi indicado
Brincadeira :
Há 10 anos atrás:
× Eu tinha 8 anos...
× fazia guerra de borracha na minha turma de (pasmem) 38 alunos!
× vi o show dos Raimundos! (invejem: não foi o único) ;D
× comia combos e twix (do grande) na máquina de m&ms de lá do colégio.
× usava aquelas gargantilhas ridículas que toda garota prafrentex usava.
Há 5 anos atrás:
(sacanagem, não podia ser uns anos antes ou dps? 7 série é ridícula!) 13 anos..
× eu era apaixonada por um lost qualquer. (brinks, ele é legal)
× usava as bermudas do meu irmão.
× fui pra minha primeira recuperação de verdade - desde então tornou-se um hábito. (as pessoas só se convenceram de que era melhor eu não fazer mais recuperação de matemática no 3 ano!)
× fui assaltada pela primeira vez. (não, não foi bom pra mim)
× tinha tubos de cotonete na orelha.
Há 2 anos atrás:
× influenciada pela moda da afro-brasilidade, eu fiz um black.
× um back bateu onda. (opa! será que pode falar isso? :P)
× fui pela primeira vez na boomerangue. (?)
× tive uma crise existencial e fiz uma redação-desabafo pro colégio. (e fechei! :D)
× fiz o primeiro regue maluco da minha casa.
Ontem:
× Eu tinha 18 anos.. (é verdade, eu ainda tenho)
× apresentei o trabalho de Políticas e não deixei ninguém falar.
× me contorci (como sempre) ao tirar uma nota boa na prova de Jéder.
× sentei na varandinha. (como sempre)
× discuti com Luara. (?) - devo ter discutido... ;D
Hoje:
× infelizmente, fui pra aula "de quinta" - ainda que na terça.
× O semáforo em frente a faculdade sumiu. (totalmente misteriosamente)
× as pessoas morreram pra atravessar - então eu perdi meu ônibus. Eu fui pra orla e perdi o de lá também! xD
× assisti Vicky Cristina Barcelona, o que me inspirou a fazer o post abaixo.
Amanhã:
× vou morrer. (???) - nunca se sabe..
× vou pra abertura do V ENECULT, assistir palestras superlegais!
× devo discutir com Lú - hj ela não foi pra aula.. ;D
× vou perguntar se Jéder realmente teve coragem de dar aula.
× vou me lamentar mais uma vez pela perda da minha pasta.
Coisas que eu não vivo sem:
× comer e dormir. (acima de todas as coisas)
× cabeça.
× arte.
× falar "ôxe" e/ou "oxente"
× tocar nas pessoas. (por favor, nunca me peçam isso)
Coisas que eu compraria com 1.000 reais:
× muitas calcinhas e sutiãs em lojas de verdade. ;D
× um ipod! uhuu!
× uma viagem.
× muitos CDs e DVDs! o box de Almodóvar, Chaplin...
× uma bateria. (com mil reais?) - meio forçado vai...
Maus hábitos..:
× roer peles (minhas, claro)... cutículas...
× não deixar as pessoas falarem.
× não dobrar o papel higiênico.
× não escovar os dentes depois do almoço se eu não for sair.
× jogar a toalha molhada em cima da cama.
Programas e tv:
× soterópolis - TVE
× os LABs - MTV
× CQC - BAND
× altas horas - GLOBO
× jornal nacional - GLOBO
Coisas que me assustam:
× o despertador.
× baratas voadoras.
× meu irmão às vezes.
× armas.
× perder a memória.
Lugares que eu gostaria de ir:
× África do Sul
× México
× Bonito -MS
× Cuba
× Barcelona -Espanha
Pessoas indicadas:
× Lúcia Neco
× Carmem Pacheco
× Vanessa Costa
melhor de três.
Gosto mesmo é de inverter a lógica
um é bom e dois é pouco
sim, pode soar louco
mas não tem nenhuma mágica.
Dois todos se diluem em um
desperdiçando tudo o que é único
só sobrando o (senso) comum
do medo de um mundo caótico.
Quem inventou o ditado
não deve ter achado
o equilíbrio prático
do tripé de elevação mística.
A unicidade múltipla
que sempre se forma
por três pontos distintos
num plano do infinito cósmico.
Seria o fim da dicotomia
do universo maniqueísta
se o mundo não se visse
de forma tão dualista.
Quisera ver o mundo
de felicidades egoístas
cada vez mais humano
de liberdades plenas.
um é bom e dois é pouco
sim, pode soar louco
mas não tem nenhuma mágica.
Dois todos se diluem em um
desperdiçando tudo o que é único
só sobrando o (senso) comum
do medo de um mundo caótico.
Quem inventou o ditado
não deve ter achado
o equilíbrio prático
do tripé de elevação mística.
A unicidade múltipla
que sempre se forma
por três pontos distintos
num plano do infinito cósmico.
Seria o fim da dicotomia
do universo maniqueísta
se o mundo não se visse
de forma tão dualista.
Quisera ver o mundo
de felicidades egoístas
cada vez mais humano
de liberdades plenas.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Lars Von Trier explica.
Eis tudo. Eu sou UMA CRIANÇA. meu deus, ainda! uma criança. Sou PETER PAN, recuso-me a virar homem! não gosto do que vejo no homem. Repudio a humanidade. Não suporto o racionalismo, o cinismo, o egoísmo, a falsidade e a lei de Gerson. Odeio tudo isso. E odeio o paradoxo de a minha cabeça pensante de homem pensar nisso.
Na realidade eu não consigo ser homem. Depois de tanto tentar, eu ainda sou criança. Depois de tanto tentarem (e ainda tentam) arrancar-me a ingenuidade, transformar-me em um deles...
Homens, mulheres, velhos e crianças. Todos pedófilos! Violentam-me todo dia.
O "ar de sabichona" disfarça toda a violência sofrida. Assim sempre foi. Acostumei-me a ceder.
Hoje eu vi um livro cuja capa era "SIM, você pode dizer NÃO", quando comecei a folheá-lo percebi que o livro era para ensinar ao seu filho! - Adultos sabem dizer "não" - Definitivamente, eu sou uma criança. E gritando "mãe!".
E eu tenho cosciência, de mim, do homem. Sou VAN GOGH consciente do seu descontrole.
Por que eu não ajo como penso?
Nem criança eu sou! Sou BICHO. Prefiro o bicho. Sou GENIN.
Sou o CACHORRO fiel, que mesmo depois de levar porrada e passar o dia trancado, abana o rabo e abre as pernas quando o dono chega.
Sou SELMA dançando no escuro. Sou GRACE, e infelizmente Dogville é meu mundo.
Na realidade eu não consigo ser homem. Depois de tanto tentar, eu ainda sou criança. Depois de tanto tentarem (e ainda tentam) arrancar-me a ingenuidade, transformar-me em um deles...
Homens, mulheres, velhos e crianças. Todos pedófilos! Violentam-me todo dia.
O "ar de sabichona" disfarça toda a violência sofrida. Assim sempre foi. Acostumei-me a ceder.
Hoje eu vi um livro cuja capa era "SIM, você pode dizer NÃO", quando comecei a folheá-lo percebi que o livro era para ensinar ao seu filho! - Adultos sabem dizer "não" - Definitivamente, eu sou uma criança. E gritando "mãe!".
E eu tenho cosciência, de mim, do homem. Sou VAN GOGH consciente do seu descontrole.
Por que eu não ajo como penso?
Nem criança eu sou! Sou BICHO. Prefiro o bicho. Sou GENIN.
Sou o CACHORRO fiel, que mesmo depois de levar porrada e passar o dia trancado, abana o rabo e abre as pernas quando o dono chega.
Sou SELMA dançando no escuro. Sou GRACE, e infelizmente Dogville é meu mundo.
domingo, 12 de abril de 2009
quarto minguante.
O espelho caiu, na nossa frente.
A imagem se abriu, em estilhaços pelo chão.
Fragmentos de mim, em meio ao caos.
Eu te disse que cairia. Nada fiz.
Você não me ouviu. Nunca ouve.
Eu não fiz questão. Nunca faço.
Você me culpou. Como sempre.
Mas já não me importa.
Catei cada pedaço, minuciosamente.
E fiz um mosaico de mim.
A imagem se abriu, em estilhaços pelo chão.
Fragmentos de mim, em meio ao caos.
Eu te disse que cairia. Nada fiz.
Você não me ouviu. Nunca ouve.
Eu não fiz questão. Nunca faço.
Você me culpou. Como sempre.
Mas já não me importa.
Catei cada pedaço, minuciosamente.
E fiz um mosaico de mim.
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