Vejo a ti
e perco a paz que nunca tive
mas finjo a mim que tive e finjo a ti não perdê-la.
o coração quase que sai pela boca, engasga.
e a ânsia do vômito que nunca sai, está sempre ali na iminência.
e o gosto amargo que perdura.
e a surdez das batidas já me deixa surda.
mas eu não me controlo, eu me controlo.
ou finjo o controle do meu descontrole.
Vejo a ti, mas concentro-me em mim,
no desespero da contenção de mim mesma.
quer queira, quer não.
viro egoísta por sua causa - e de tudo te culpo.
e essa consciência é o que me mata. sim, a consciência mata.
às vezes eu queria ser inconsciente, inconsequente
mas eu não sou. sou apenas inconstante.
e o que eu queria mesmo era você.
você não sabe, eu sou uma farsa.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
um trago.
tic-tac. Sobre a mesa, cadernos, um brinco vermelho, uma embalagem vermelha, um cinzeiro vermelho, um relógio vermelho. tic-tac. módulos com capas vermelhas, mas brancos por dentro... tic-tac. uma prova rosa, e... A palavra: UFBA tic-tac escrito em negro na capa de umas cópias encadernadas, brancas como a fumaça que sai do que trago. tic-tac. Apenas olho (no momento penso demais para fazer qualquer coisa) tic-tac, sou astigmata, o branco me dói os olhos, prefiro o vermelho. tic-tac. Já dei corda no relógio, o pino foi ao máximo. mais corda, só amanhã. E precisará mais, o tic-tac é mais rápido que um trago.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
um trecho brilhante.
"... O rosa das rosas era de sangue e o sangue escorria pelas mãos brancas dos enfermeiros pálidos. E os enfermeiros limpavam o sangue das mãos nos brancos aventais, que já não ficavam tão brancos. Centenas de enfermeiros caiavam os muros (antes cobertos de propaganda política), tudo pintavam de branco, de cal, muros, paredes. Fachadas, portas de madeira e portas de metal e até mesmo pessoas. Tudo ficava branco. (...) ...os anestesistas atiravam bombas aqui e ali, dentro de uma casa comercial e também das particulares, até mesmo dentro das creches, para que todos dormissem e para que ninguém visse que o sangue das rosas manchava de rosa - um rosa puro de flor -, manchava todas as coisas brancas, todas as pessoas pálidas e, com mais fúria, mais rosas os enfermeiros pálidos estrangulavam raivosos, e a raiva rosava seus rostos, e o sangue escorria de suas mãos, dos caules, das flores - e as flores amarelas, de vergonha, viravam rosas e eram também estranguladas e também era rosa o seu sangue - e o sangue e as rosas enchiam as ruas que eram brancas, corriam para a praça, como correm os rios para o mar, rios de rosas, rios de sangue."
A deliciosa e sangrenta aventura latina de JANE SPITFIRE - AUGUSTO BOAL... pág.217.
- sobre um sonho da nossa (anti)heroína no qual uma junta médica (e não militar!) realiza um golpe de estado. Genial.
A deliciosa e sangrenta aventura latina de JANE SPITFIRE - AUGUSTO BOAL... pág.217.
- sobre um sonho da nossa (anti)heroína no qual uma junta médica (e não militar!) realiza um golpe de estado. Genial.
domingo, 17 de agosto de 2008
Cacilda.
Eu ouvi o que você disse, eu juro, e discordei. Você ouviu o que eu disse, você jura, e discordou.
Poderia tudo ser verdade? Apenas opiniões severamente distintas? Ou não tão severas assim...
Definitivamente havia um ruído na comunicação, algo fluido que preechia o vazio entre nós, e distorcia tudo o que falávamos. Refratando, refletindo... Assim como eu refletia e não conseguia conceber tais sonoridades. Seriam essas as suas palavras? Prefiro acreditar que você também refletia - às vezes eu tinha dúvidas. Ou talvez o fluido estivesse meramente em nós, talvez só em mim, talvez em todos nós - incluindo todos os demais que tentavam traduzir -, distorcendo o nosso entendimento correto das coisas.
Palavra é muito pouco para traduzir o que se passa em nossa mente, dificilmente conseguimos dizer exatamente o que pretendíamos. "o que o autor quis dizer quando disse...?" Lá eu vou saber! O mundo das idéias de cada um é completamente obscuro. Para todos, você é o que a sua linguagem diz. E naquele momento, sua linguagem me soava muito mal. Sua língua passava áspera no meu peito sempre que você dizia que era eu quem o fazia. Eu sentia uma dor em dose homeopática dupla - a minha dor e a sua -, aos poucos arranhando meu peito e meus olhos, respectivamente. Você sentia a minha dor?
Toda a sala era ruído, a angústia tornava-se desesperadora e não sabíamos fazer parar. Eu até suportaria, se houvesse apoio. Mas eu estava só, e chorei, chorei incontrolavemente. As lágrimas ardiam nos olhos arranhados e eu olhava-te fixamente, distorcido pela água, desfigurado em minha mente.
Ninguém mais suportaria. Os ruídos alheios graduavam-se cada vez mais altos, na aflição do fim de tudo aquilo. E acabou uníssono, quase um grito, grito não, um berro! E silêncio... Depois da tempestade vem a bonança, e os leões se satisfizeram.
Mas você, não. Você sentia dor, não sei se a sua ou a minha.
Já se perguntou de quantas maneiras você pode soar?
Poderia tudo ser verdade? Apenas opiniões severamente distintas? Ou não tão severas assim...
Definitivamente havia um ruído na comunicação, algo fluido que preechia o vazio entre nós, e distorcia tudo o que falávamos. Refratando, refletindo... Assim como eu refletia e não conseguia conceber tais sonoridades. Seriam essas as suas palavras? Prefiro acreditar que você também refletia - às vezes eu tinha dúvidas. Ou talvez o fluido estivesse meramente em nós, talvez só em mim, talvez em todos nós - incluindo todos os demais que tentavam traduzir -, distorcendo o nosso entendimento correto das coisas.
Palavra é muito pouco para traduzir o que se passa em nossa mente, dificilmente conseguimos dizer exatamente o que pretendíamos. "o que o autor quis dizer quando disse...?" Lá eu vou saber! O mundo das idéias de cada um é completamente obscuro. Para todos, você é o que a sua linguagem diz. E naquele momento, sua linguagem me soava muito mal. Sua língua passava áspera no meu peito sempre que você dizia que era eu quem o fazia. Eu sentia uma dor em dose homeopática dupla - a minha dor e a sua -, aos poucos arranhando meu peito e meus olhos, respectivamente. Você sentia a minha dor?
Toda a sala era ruído, a angústia tornava-se desesperadora e não sabíamos fazer parar. Eu até suportaria, se houvesse apoio. Mas eu estava só, e chorei, chorei incontrolavemente. As lágrimas ardiam nos olhos arranhados e eu olhava-te fixamente, distorcido pela água, desfigurado em minha mente.
Ninguém mais suportaria. Os ruídos alheios graduavam-se cada vez mais altos, na aflição do fim de tudo aquilo. E acabou uníssono, quase um grito, grito não, um berro! E silêncio... Depois da tempestade vem a bonança, e os leões se satisfizeram.
Mas você, não. Você sentia dor, não sei se a sua ou a minha.
Já se perguntou de quantas maneiras você pode soar?
sábado, 2 de agosto de 2008
uma porção de tempo.
Um tombo.
meu balão voou.
no meio do circo.
eu estou estática.
a roda ainda gira.
o balão sobe.
os transeuntes passam.
o tempo acaba sem parar.
meu balão voou.
no meio do circo.
eu estou estática.
a roda ainda gira.
o balão sobe.
os transeuntes passam.
o tempo acaba sem parar.
terça-feira, 22 de julho de 2008
prenegativo.
Silêncio.
Após horas alguém levantou e falou:
- Não dá mais! Vamos!
Os demais olharam-se em busca de - quem sabe - uma resposta divina que lhes desse coragem para seguir em frente.
- Não podemos ficar parados!
- Não podemos perder tempo.
- Não. O tempo é escasso.
- mas...Não sabemos aonde ir!
- Não, o jeito é seguir a trilha.
Silêncio. Caminharam horas, até alguém falar:
- Quem sabe se virássemos...
- Não quero.
- E se fôssemos...
- Não!
- Se... Ah, não. Esquece... O que vocês querem?
Silêncio.
O jeito era seguir a trilha mesmo. Quem fez deveria saber aonde estava indo, ou ao menos onde queria estar.
Após horas alguém levantou e falou:
- Não dá mais! Vamos!
Os demais olharam-se em busca de - quem sabe - uma resposta divina que lhes desse coragem para seguir em frente.
- Não podemos ficar parados!
- Não podemos perder tempo.
- Não. O tempo é escasso.
- mas...Não sabemos aonde ir!
- Não, o jeito é seguir a trilha.
Silêncio. Caminharam horas, até alguém falar:
- Quem sabe se virássemos...
- Não quero.
- E se fôssemos...
- Não!
- Se... Ah, não. Esquece... O que vocês querem?
Silêncio.
O jeito era seguir a trilha mesmo. Quem fez deveria saber aonde estava indo, ou ao menos onde queria estar.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
suicídio duplamente qualificado.
Elas olharam-se, viram-se uma na outra, gostaram do que viram, e decidiram que seriam amigas.
Ela nutria uma paixão eufórica por ela, tão eufórica quanto ela mesma. Saíam juntas, estudavam juntas, dormiam juntas... Tinham os mesmos gostos, o mesmo estilo, o mesmo pensamento nas mesmas horas. Passaram a confundir-se em suas vidas como se não soubessem onde começa e termina a outra. Achavam isso bom, era uma prova de tamanha amizade.
Até que ela começou a sentir a presença de um corpo estranho, mas que quando olhava, via a si própria. Isso atormentava sua mente e ela passou a sentir um ódio profundo daquela que ela via todos os dias presente na sua vida, dona da sua vida. Era invasivo o seu corpo. Tudo o que a mesma fazia, parecia uma cópia defeituosa sua, que ninguém era capaz de perceber as nítidas diferenças.
Tudo irritava naquela relação viciosa da qual ela não conseguia escapar. E se os efeitos das qualidades comuns a ambas, foram tão explosivos, os efeitos dos defeitos seriam catastróficos. Qualquer coisinha que antes não passava de uma pequena mania, um aspecto qualquer que poderiam apontar como uma "rasura" no seu "eu definitivo", se transformava num imenso borrão à tinta, cada vez mais intenso. E ela já não sabia quem era, se o definitivo perfeito, ou se o imenso borrão. E isso tirava-lhes o sono, o sonho, o som. Restou o ruído, o pesadelo e a olheira. E a preocupação da outra diante da situação, aumentava ainda mais sua irritação. Ela virou um monstro, cuja a presa era ela mesma.
O desespero só aumentava, e numa noite de insônia em que dormiriam juntas, ela cometeu a asneira de cair no sono.
Era a única saída, ela tinha de quebrar o espelho.
Ela nutria uma paixão eufórica por ela, tão eufórica quanto ela mesma. Saíam juntas, estudavam juntas, dormiam juntas... Tinham os mesmos gostos, o mesmo estilo, o mesmo pensamento nas mesmas horas. Passaram a confundir-se em suas vidas como se não soubessem onde começa e termina a outra. Achavam isso bom, era uma prova de tamanha amizade.
Até que ela começou a sentir a presença de um corpo estranho, mas que quando olhava, via a si própria. Isso atormentava sua mente e ela passou a sentir um ódio profundo daquela que ela via todos os dias presente na sua vida, dona da sua vida. Era invasivo o seu corpo. Tudo o que a mesma fazia, parecia uma cópia defeituosa sua, que ninguém era capaz de perceber as nítidas diferenças.
Tudo irritava naquela relação viciosa da qual ela não conseguia escapar. E se os efeitos das qualidades comuns a ambas, foram tão explosivos, os efeitos dos defeitos seriam catastróficos. Qualquer coisinha que antes não passava de uma pequena mania, um aspecto qualquer que poderiam apontar como uma "rasura" no seu "eu definitivo", se transformava num imenso borrão à tinta, cada vez mais intenso. E ela já não sabia quem era, se o definitivo perfeito, ou se o imenso borrão. E isso tirava-lhes o sono, o sonho, o som. Restou o ruído, o pesadelo e a olheira. E a preocupação da outra diante da situação, aumentava ainda mais sua irritação. Ela virou um monstro, cuja a presa era ela mesma.
O desespero só aumentava, e numa noite de insônia em que dormiriam juntas, ela cometeu a asneira de cair no sono.
Era a única saída, ela tinha de quebrar o espelho.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
o jogo.
No quarto, só nós dois. "Cartas à mesa!", disse ela.
Mal sabia ela, mas, honestamente eu só tinha Espadas e Ouros.
Percebi o susto que ela tomou diante de tal cartada, seu diafragma parou - por um segundo, eu fui o único cosumidor (da falta) de ar daquele quarto. Ela disfarçou, mas os pulmões sentiram, e ela bruscamente devorou minha respiração por completo, deixando-me sem ar.
Ela jogou suas cartas, Paus e Copas, enquanto soltava o "ar reciclado". Olhamo-nos e trocamos ares. Eu expirei, aliviado, e ela inspirou, profundo. E não soltou o ar.
Meu Deus! O que foi que eu fiz?
Espalhei minhas cartas pelo chão, guardei as Espadas no bolso e servi-me de Ouros. Joguei com as cartas dela, sem jamais trocá-las com as minhas, armei todas as jogadas possíveis, mas sempre com elas, que possuíam um vermelho-ouro que nunca chegaria aos pés do seu vermelho-copas. Talvez sejam baralhos diferentes. E ela simplesmente observava, distante.
O que é que eu faço agora? Meu Deus, ela pensava em Copas durante todo esse tempo e por mais que parecesse Ouro, era Paus que ela jogava... Tudo o que eu queria era esquecer que vimos nosso jogos.
Desisti. E decidi apenas sentar e esperar a sentença. Minha cabeça quase explodindo. Vez ou outra ela deixava escapar uma expressão sofrida, mas se ela realmente tem convicção no jogo dela, terá de suportar o meu. Eu já estava tonto quando ela aparentemente tomou uma decisão. Esforcei-me para me aproximar, mas ela não conseguiu pronunciar qualquer palavra e virou-se. Não pode ser tão difícil... Meu corpo já formigando, sem forças.
Aguentamos uma eternidade, ambos sem ar. Senti que morreria ali mesmo, arrastei-me até a porta e quando consegui alcançar a maçaneta, ela caiu nos meus braços e me beijou. Um beijo aflito, mas salvador. Meu corpo enrijeceu-se novamente e ela mostrou-me uma carta, escondida por ela, uma Dama de Ouro. No seu jogo havia uma Dama de Ouro. Todo o seu sofrimento não é por mim, é pela Dama de Ouro!?
Mal sabia eu, não estávamos sós naquele quarto.
E o Rei de Espada escorregou do meu bolso e caiu sobre seu Rei de Copas.
Mal sabia ela, mas, honestamente eu só tinha Espadas e Ouros.
Percebi o susto que ela tomou diante de tal cartada, seu diafragma parou - por um segundo, eu fui o único cosumidor (da falta) de ar daquele quarto. Ela disfarçou, mas os pulmões sentiram, e ela bruscamente devorou minha respiração por completo, deixando-me sem ar.
Ela jogou suas cartas, Paus e Copas, enquanto soltava o "ar reciclado". Olhamo-nos e trocamos ares. Eu expirei, aliviado, e ela inspirou, profundo. E não soltou o ar.
Meu Deus! O que foi que eu fiz?
Espalhei minhas cartas pelo chão, guardei as Espadas no bolso e servi-me de Ouros. Joguei com as cartas dela, sem jamais trocá-las com as minhas, armei todas as jogadas possíveis, mas sempre com elas, que possuíam um vermelho-ouro que nunca chegaria aos pés do seu vermelho-copas. Talvez sejam baralhos diferentes. E ela simplesmente observava, distante.
O que é que eu faço agora? Meu Deus, ela pensava em Copas durante todo esse tempo e por mais que parecesse Ouro, era Paus que ela jogava... Tudo o que eu queria era esquecer que vimos nosso jogos.
Desisti. E decidi apenas sentar e esperar a sentença. Minha cabeça quase explodindo. Vez ou outra ela deixava escapar uma expressão sofrida, mas se ela realmente tem convicção no jogo dela, terá de suportar o meu. Eu já estava tonto quando ela aparentemente tomou uma decisão. Esforcei-me para me aproximar, mas ela não conseguiu pronunciar qualquer palavra e virou-se. Não pode ser tão difícil... Meu corpo já formigando, sem forças.
Aguentamos uma eternidade, ambos sem ar. Senti que morreria ali mesmo, arrastei-me até a porta e quando consegui alcançar a maçaneta, ela caiu nos meus braços e me beijou. Um beijo aflito, mas salvador. Meu corpo enrijeceu-se novamente e ela mostrou-me uma carta, escondida por ela, uma Dama de Ouro. No seu jogo havia uma Dama de Ouro. Todo o seu sofrimento não é por mim, é pela Dama de Ouro!?
Mal sabia eu, não estávamos sós naquele quarto.
E o Rei de Espada escorregou do meu bolso e caiu sobre seu Rei de Copas.
terça-feira, 1 de julho de 2008
juventude - uma dissertação.
Em toda geração há sempre um questionamento: "Como será a próxima? Será que conseguirão superar tudo o que não pudemos? Ou será que nunca existirá uma geração como a nossa?" Elis Regina já dizia: "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais". Mas será? Em plenos anos 2000, perguntamo-nos: quem somos nós?
O jovem "pós-revoluções" assistiu a todos os fracassos sociais, a todas as desilusões ideológicas de antigos jovens - que pensavam no coletivo - e nada mais o toca. Porque é muito fácil ter uma ideologia quando é só seguir os outros, quando somos obrigados a lutar por uma liberdade de alguma forma privada. Mas e quando se tem "toda" a liberdade, toda a informação, e quando se tem tantas opções?
Vivemos numa globalização desenfreada, em que não há tempo. Tudo foi para ontem e o presente é quase inexistente. Só temos tempo de olhar para o umbigo e sobreviver no "capitalismo selvagem" no qual estamos inseridos, e o tempo que resta é utilizado para esquecer que é só isso o que fazemos. Gozando o máximo possível para sentir que de alguma forma a vida é boa, ou então, nada vale a pena.
Estamos perdidos, atônitos, neutros. Nada nos motiva e deixamo-nos levar pela correnteza. Corremos e não sabemos para onde. Jogamo-nos no escuro, no exagero, com overdose de tanta informação inútil, de tanta droga, de tanta guerra. Somos um corpo inerte, nem toda dor nos dói, nem todo amor nos toca. Somos seres adaptáveis.
O jovem "pós-revoluções" assistiu a todos os fracassos sociais, a todas as desilusões ideológicas de antigos jovens - que pensavam no coletivo - e nada mais o toca. Porque é muito fácil ter uma ideologia quando é só seguir os outros, quando somos obrigados a lutar por uma liberdade de alguma forma privada. Mas e quando se tem "toda" a liberdade, toda a informação, e quando se tem tantas opções?
Vivemos numa globalização desenfreada, em que não há tempo. Tudo foi para ontem e o presente é quase inexistente. Só temos tempo de olhar para o umbigo e sobreviver no "capitalismo selvagem" no qual estamos inseridos, e o tempo que resta é utilizado para esquecer que é só isso o que fazemos. Gozando o máximo possível para sentir que de alguma forma a vida é boa, ou então, nada vale a pena.
Estamos perdidos, atônitos, neutros. Nada nos motiva e deixamo-nos levar pela correnteza. Corremos e não sabemos para onde. Jogamo-nos no escuro, no exagero, com overdose de tanta informação inútil, de tanta droga, de tanta guerra. Somos um corpo inerte, nem toda dor nos dói, nem todo amor nos toca. Somos seres adaptáveis.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
falso diálogo.
Eles sempre têm motivos pra me perguntar:
"vc tá bem?"
E eu sempre respondo:
"claro!"
sem motivos.
E às vezes é até verdade.
"vc tá bem?"
E eu sempre respondo:
"claro!"
sem motivos.
E às vezes é até verdade.
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